A cena de psyche jazz infused australian pop é uma loucura

Psyche jazz infused australian pop não é um gênero musical verdadeiro, até onde eu sei, mas alguns artistas australianos têm seguido uma tendência que não poderia ter um nome mais apropriado.

Artistas como Nas e Jay-Z mantiveram o jazz vivo na música contemporânea, mesmo que respirando por aparelhos, através do hip-hop, com o uso de samples e regravações dos clássicos, apropriando-os à música pop dos anos 90.

Quando o hip-hop passou a ser um produto rentável e saiu dos guetos em direção às grandes massas, as suas raízes ficaram em segundo plano ao lucro, mas isso não durou muito.

Desde que “To Pimp A Butterfly” do Kendrick Lamar, terceiro álbum do sonho molhado dos críticos musicais e inimigo público número um do ego de Kanye West, recebeu nada menos que 11 indicações ao quinquagésimo oitavo Grammy Awards (o segundo maior número de indicações da história da premiação, perdendo apenas para Thriller do Michael Jackson, com 12 indicações), a música vem vivenciando um revival do jazz. Não apenas no hip-hop.

Lamar colaborou com ícones do jazz contemporâneo, como o maluco do Flying Lotus e o baixista Thundercat, para criar uma batida de jazz que fugisse dos samples repetitivos que serviam apenas como base para as rimas do rapper. O instrumental ganhava agora uma importância que a indústria não podia ignorar.

Grupos de jazz começaram a fazer sucesso, vindos de todos os cantos do mundo. No Canadá, Badbadnotgood, com discos solos e participações em álbuns de rappers como Tyler, The Creator e Frank Ocean. Nos Estados Unidos, Snarky Puppy e seus sintetizadores (que terão seu próprio texto (e sempre terão um lugar no meu coração)). E, para não falar que não falei dos verdinhos, Bondesom, com suas influências mpbísticas.

O que nos traz para o tema desse texto: a cena de psyche jazz infused australian pop, nome designado por quem vos escreve. Bandas como Hiatus Kaiyote vêm usando o jazz como base para experimentar, misturando soul, R&B e algumas viradas malucas no tempo para criar um estilo único.

A vocalista Naomi “Nai Palm” Saalfield usa até influências da música oriental para acrescentar ao diferencial da banda, surfando entre tons e semitons, com um toque de Amy Winehouse. Uma das bandas mais inovadoras da cena australiana, sem dúvida nenhuma.

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O queridinho da Austrália, Kevin Parker (aquele cara do Tame Impala que sempre tá descalço), não quis ficar de fora, produzindo outra exportação surpreendente do país das aranhas que comem pássaros, a banda Koi Child.

Composta por um grupo de jazz e um rapper, o diferencial do ato é justamente a fluidez de suas composições, fugindo do dogma do sample, que assombrou o hip-hop por décadas. Em seu álbum de estreia, Self-Titled, a banda usa linhas de baixo marcantes, saxofones, trombones, sintetizadores e, obviamente, onde tem jazz tem um baterista destruindo.

O baixo e os instrumentos de sopro também trazem uma influência de reggae, sútil, mas perceptível, em músicas como Touch ‘Em e Wumpa Fruit. 1-5-9, o single mais famoso do álbum, conta com uma produção impecável de Kevin Parker, uso perfeito de sintetizadores trazendo um aspecto atmosférico para o som, sopro elevando a tensão da virada, seguido por um solo de saxofone capaz de trazer a paz mundial e o amor prometido em 7 dias. Black Panda, o outro single do álbum, tem um dos melhores instrumentais do disco e dá mais espaço para o flow do vocalista, o sul-africano Shannon Cruz Patterson, que embora não seja o liricista mais profundo do oriente, tem um ritmo bom e uma voz agradável que encaixa perfeitamente com o objetivo da banda.

As águas-vivas gigantes e os animais peçonhentos podem ser um problema, mas a música na Austrália com certeza bate de frente com os gigantes da língua inglesa. Embora esses artistas se considerem de gêneros diferentes, no caso de Hiatus Kaiyote, neo-soul, eles têm algumas características em comum: a leveza do som, a influência do jazz e o fato de ser música para ouvir chapado  a pegada atmosférica do instrumental. Vale a pena dar uma olhada.

Se curtirem, usem o nome psyche jazz infused australian pop para descrever as bandas.

Vai pegar.

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